"Explicar uma experiência que
comecei a viver há 13/14 anos atrás é, a meu ver, bastante complicado. Agora
com 23 anos de idade (e apesar de jovem) vejo o mundo de forma diferente do que
via com 10/11 anos de idade, contudo tentarei explicar como me sentia nesse
tempo refutando como vejo agora. Teria os meus 9 anos de idade quando percebi
que o basket era a minha paixão, comecei a jogar no clube B.C.G. e simplesmente
adorava, no entanto quando me tornei iniciada fui obrigada a mudar de clube,
pois já não poderia jogar numa equipa mista. Confesso agora, pela primeira vez,
que não fiquei nada contente de ir para o J.B.G., pois iria mudar de equipa e de
treinador. Apesar da relutância, comecei logo a habituar-me à nova equipa e lá
tive grandes memórias. Acho que me posso gabar de me ter dado com toda a gente
da equipa, umas mais que outras, mas no entanto nunca tive atritos com ninguém.
E considero este facto bastante importante, porque éramos um grupo de raparigas
adolescentes que conviviam, pelo menos, 4 dias por semana, logo pequenos atritos
eram a coisa mais natural. Mas também refiro aqui que a treinadora sempre teve
atenção em criar o melhor ambiente possível. Foi com esta equipa que cresci e
aprendi o que significa espírito de equipa. Infelizmente fui obrigada a parar
dois anos, e o facto de querer voltar acho que mostra o quanto gostava do
desporto e das pessoas. No entanto, as pessoas mudam, enfrentamos problemas e
mudamos os caminhos na nossa vida. Na minha opinião as coisas nunca serão como
dantes, porque já não somos crianças, já temos outros objectivos na vida e,
muitas de nós, já temos os caminhos traços. Mas não vejo isto como algo
negativo, pois isto sim é a vida! Nada dura para sempre e por muito que se
tente não conseguimos igualar o passado. É por isso que temos que seguir em
frente e apenas recordar com um sorriso os momentos que passamos. Acho que é perceptível que gostei do tempo que passei com esta equipa, pois pude jogar o
desporto que adoro, passei por grandes momentos e conheci a pessoa que agora
chamo de irmã."
terça-feira, 26 de março de 2013
Testemunhos V
Se no nosso caminho houver vestígios, pequenos que sejam, de tudo o que vivemos... então é porque valeu a pena...
Testemunhos - IV
Ler um testemunho destes, é mágico de todas as maneiras que se possa dissecá-lo... mas a mais pura magia, só eu e este mulher linda percebemos... Porque encontro pedaços de mim a cada frase que agora é dela... Pensa com coisas que eu disse, sente com sentimentos que lhe dei...
"Passado tanto tempo consigo sentir, ainda hoje o cheiro do primeiro pavilhão em que treinei e todo o medo que senti nesse primeiro treino que fiz com vocês… Cheguei tarde, mas muito a tempo de fazer parte da família… Pois nunca ninguém ficou de fora, eu não fui excepção… Muito, muito obrigada por isso! Lembro me perfeitamente de como a nossa treinadora me fez ir ao primeiro treino “Sexta-feira em Creixomil, estou à tua espera!”… Não há um dia que eu não agradeça isso e deseje que tivesse acontecido antes… Mas aconteceu, e é isso que me faz saber e ser o que sou hoje… A nossa equipa mudou-me… Talvez tenhas conseguido “tornar me um ser humano pior” como querias… Mas mais importante de tudo aprendi a lutar por um sonho, a correr mais do que as nossas pernas aguentavam e que o banco também joga… Tudo o que me ensinaram e deram está em cada molécula do que sou, todas vocês fizeram um bocadinho de mim e todos os dias, sem exceção, penso em nós… Passado tanto tempo lembro me muito pouco dos jogos, mas lembro me muito bem das brincadeiras, dos treinos, das conversas e palhaçadas no balneário… Porque no fundo a amizade é que tornava tudo tão especial… Claro que foi o basquetebol que juntou, mas com o tempo, era a nossa amizade que nos mantinha lá… Contra tudo e todos! Confiaste em mim de uma forma que para mim nunca fez sentido… E isso fez-me perceber como jogadora, mas acima de tudo como pessoa, que eu valia mais do alguma vez achei… E hoje, sempre que sinto medo ou insegurança lembro-me do que me disseste uma vez relativamente a um desempenho meu num jogo “Isto já não é uma questão de confiares em ti como jogadora, mas de confiares em ti como pessoa, como profissional! Já não te afecta só no jogo, afeta-te a todos os níveis da tua vida”… E era verdade, claro… Ainda o é. E passado tanto tempo, ainda não sei como resolve-lo… Fui feliz com vocês como nunca achei que podia sê-lo… Se gostava de voltar atrás no tempo e puder desfrutar de tudo outra vez?? Claro! Dava a minha mão esquerda para isso! Se mudava alguma coisa?? Claro! Gostava de saber o que sei hoje, ter a maturidade que tenho hoje e saber a falta que vocês me fazem! No entanto resta-me, tal como a todas vocês, recordar e ficar com a lágrima solta, prestes a cair quando penso em tudo o que passamos juntas. Hoje, ouvindo a nossa música ainda acredito que nós podemos voar!!"
"Passado tanto tempo consigo sentir, ainda hoje o cheiro do primeiro pavilhão em que treinei e todo o medo que senti nesse primeiro treino que fiz com vocês… Cheguei tarde, mas muito a tempo de fazer parte da família… Pois nunca ninguém ficou de fora, eu não fui excepção… Muito, muito obrigada por isso! Lembro me perfeitamente de como a nossa treinadora me fez ir ao primeiro treino “Sexta-feira em Creixomil, estou à tua espera!”… Não há um dia que eu não agradeça isso e deseje que tivesse acontecido antes… Mas aconteceu, e é isso que me faz saber e ser o que sou hoje… A nossa equipa mudou-me… Talvez tenhas conseguido “tornar me um ser humano pior” como querias… Mas mais importante de tudo aprendi a lutar por um sonho, a correr mais do que as nossas pernas aguentavam e que o banco também joga… Tudo o que me ensinaram e deram está em cada molécula do que sou, todas vocês fizeram um bocadinho de mim e todos os dias, sem exceção, penso em nós… Passado tanto tempo lembro me muito pouco dos jogos, mas lembro me muito bem das brincadeiras, dos treinos, das conversas e palhaçadas no balneário… Porque no fundo a amizade é que tornava tudo tão especial… Claro que foi o basquetebol que juntou, mas com o tempo, era a nossa amizade que nos mantinha lá… Contra tudo e todos! Confiaste em mim de uma forma que para mim nunca fez sentido… E isso fez-me perceber como jogadora, mas acima de tudo como pessoa, que eu valia mais do alguma vez achei… E hoje, sempre que sinto medo ou insegurança lembro-me do que me disseste uma vez relativamente a um desempenho meu num jogo “Isto já não é uma questão de confiares em ti como jogadora, mas de confiares em ti como pessoa, como profissional! Já não te afecta só no jogo, afeta-te a todos os níveis da tua vida”… E era verdade, claro… Ainda o é. E passado tanto tempo, ainda não sei como resolve-lo… Fui feliz com vocês como nunca achei que podia sê-lo… Se gostava de voltar atrás no tempo e puder desfrutar de tudo outra vez?? Claro! Dava a minha mão esquerda para isso! Se mudava alguma coisa?? Claro! Gostava de saber o que sei hoje, ter a maturidade que tenho hoje e saber a falta que vocês me fazem! No entanto resta-me, tal como a todas vocês, recordar e ficar com a lágrima solta, prestes a cair quando penso em tudo o que passamos juntas. Hoje, ouvindo a nossa música ainda acredito que nós podemos voar!!"
Testemunhos - III
Quando surgiu a ideia de colocar no meu Blog alguns testemunhos das mulheres que foram outrora as minhas pitas, disse-lhes que o texto seria anónimo, que não mencionaria o nome delas. E não mencionarei... Mas para quê?? A sua identidade está em cada linha...
Este testemunho chega de outro país... de longe... de alguém que teve que nos deixar forçadamente, embora tivesse sido a sua escolha. De longe enviava textos para serem lidos no balneário... Mensagens carregadas de sentimentos de força e saudade... Dos seres humanos mais genuínos que alguma vez conheci...
"Depois de ler o testemunho da nossa eterna capitã, fica muito pouco por dizer, o sentimento é tão mutuo.
Recuando pouco mais de 3 anos, lembro-me perfeitamente de quando soube que o meu futuro me iria trazer para uma nova aventura, para longe de tudo que estava habituada. Apesar de já esperar por esse momento, e saber que seria o melhor para mim, fiquei aterrorizada pelo que estava a sentir e pelo que estava para vir.
Era o meu primeiro ano de sénior, e estava totalmente eufórica por percorrer todos os escalões, sempre tinha sonhado com isso, apesar de ter feito parte da equipa anteriormente, quem não sonhava ser uma das 'sobreviventes' neste caminho? Pois, eu sonhava, ainda hoje o digo e quando falo de basquetebol, as lágrimas ficam no canto do olho, tímidas com medo, porque sei que qualquer pessoa que eu conte, que não tenha feito parte deste caminho, não irá entender na totalidade as minhas palavras.
Mas vocês, a minha eterna equipa, todas que fizeram parte, entendem...
Entendem o que é sentir orgulho em ter crescido num ambiente tão lindo como o nosso. Entendem o que sinto quando se grita 'Pela cidade berço', esperando ouvir uma equipa inteira completar. Entendem o que é ficar sem força dentro de campo porque o jogo não está a correr como deveria e de repente uma voz dizer para levantarmos a cabeça que tudo vai correr bem, que sabemos como fazer aquela 'porra', para lutarmos e nunca desistirmos. Entendem o que é ouvir uma voz dizer-nos que em condições normais seremos campeãs e que em condições anormais também seremos campeãs. Entendem o que é ter sempre alguém
que acredita em nós, sempre!
E sinto muito por quem não conheceu ainda esta enorme voz, que continua a sondar a minha cabeça em todos os momentos da minha vida, com as mesmas palavras de força, agora em circunstancias diferentes, porque foi isto que nos ensinou, a lutar e nunca desistir em alguma circunstancia da nossa vida.
Lembro-me de uma frase 'posso não estar a criar jogadoras de uma vida, mas com certeza estou a criar pessoas para a vida'!
E sem dúvida que era isto que distinguia a 'minha treinadora' de todas as outras, ela não se preocupou nunca em apenas nos criar como jogadoras, ela sempre quis criar 'bons seres humanos', sempre nos quis transmitir tudo que sabia para nos preparar para a vida, para tudo que vinha, e a verdade, é que uso tudo isso todos os dias, porque faz parte de quem sou e não sei como seria se assim não fosse.
Quando falo em mulheres da minha vida, não me fico pela minha mãe, porque claramente em toda a minha vida, eu tive uma mãe em casa à espera no fim dos treinos, e outra a qual chamava e sempre chamarei de coach.
Já não é a primeira vez que o digo, a eterna capitã e a quem tenho o orgulho de chamar melhor amiga, e a minha treinadora, são grandes responsáveis em tudo que faço e como faço. Não esquecendo o nome de cada uma que fez parte, porque trago em mim um pouco de cada uma de vocês e serão eternamente a minha equipa e só vocês faziam a magia no basket, sim quando digo só vocês, I mean it, porque quando cá cheguei nada do basket ou equipa me pareceu igual, porque a cara que comandava não era
a mesma, as caras de quem lutava comigo e por mim, não eram as mesmas, e nem mesmo o espírito e sabem porque?
Porque fomos únicas. Porque há frases que ficam, e 'juntas estaremos, juntas venceremos' será uma delas.
Obrigada a cada uma de vocês por terem feito a minha infância a melhor que poderia pedir, com dificuldades , não houve um dia que me sentisse menor perto de vocês e obrigada a ti, mãe, coach e eterna amiga, por me teres transmitido tanto, espero um dia puder transmitir a alguém tudo que tu transmitiste.
'I believe I can fly!'"
Este testemunho chega de outro país... de longe... de alguém que teve que nos deixar forçadamente, embora tivesse sido a sua escolha. De longe enviava textos para serem lidos no balneário... Mensagens carregadas de sentimentos de força e saudade... Dos seres humanos mais genuínos que alguma vez conheci...
"Depois de ler o testemunho da nossa eterna capitã, fica muito pouco por dizer, o sentimento é tão mutuo.
Recuando pouco mais de 3 anos, lembro-me perfeitamente de quando soube que o meu futuro me iria trazer para uma nova aventura, para longe de tudo que estava habituada. Apesar de já esperar por esse momento, e saber que seria o melhor para mim, fiquei aterrorizada pelo que estava a sentir e pelo que estava para vir.
Era o meu primeiro ano de sénior, e estava totalmente eufórica por percorrer todos os escalões, sempre tinha sonhado com isso, apesar de ter feito parte da equipa anteriormente, quem não sonhava ser uma das 'sobreviventes' neste caminho? Pois, eu sonhava, ainda hoje o digo e quando falo de basquetebol, as lágrimas ficam no canto do olho, tímidas com medo, porque sei que qualquer pessoa que eu conte, que não tenha feito parte deste caminho, não irá entender na totalidade as minhas palavras.
Mas vocês, a minha eterna equipa, todas que fizeram parte, entendem...
Entendem o que é sentir orgulho em ter crescido num ambiente tão lindo como o nosso. Entendem o que sinto quando se grita 'Pela cidade berço', esperando ouvir uma equipa inteira completar. Entendem o que é ficar sem força dentro de campo porque o jogo não está a correr como deveria e de repente uma voz dizer para levantarmos a cabeça que tudo vai correr bem, que sabemos como fazer aquela 'porra', para lutarmos e nunca desistirmos. Entendem o que é ouvir uma voz dizer-nos que em condições normais seremos campeãs e que em condições anormais também seremos campeãs. Entendem o que é ter sempre alguém
que acredita em nós, sempre!
E sinto muito por quem não conheceu ainda esta enorme voz, que continua a sondar a minha cabeça em todos os momentos da minha vida, com as mesmas palavras de força, agora em circunstancias diferentes, porque foi isto que nos ensinou, a lutar e nunca desistir em alguma circunstancia da nossa vida.
Lembro-me de uma frase 'posso não estar a criar jogadoras de uma vida, mas com certeza estou a criar pessoas para a vida'!
E sem dúvida que era isto que distinguia a 'minha treinadora' de todas as outras, ela não se preocupou nunca em apenas nos criar como jogadoras, ela sempre quis criar 'bons seres humanos', sempre nos quis transmitir tudo que sabia para nos preparar para a vida, para tudo que vinha, e a verdade, é que uso tudo isso todos os dias, porque faz parte de quem sou e não sei como seria se assim não fosse.
Quando falo em mulheres da minha vida, não me fico pela minha mãe, porque claramente em toda a minha vida, eu tive uma mãe em casa à espera no fim dos treinos, e outra a qual chamava e sempre chamarei de coach.
Já não é a primeira vez que o digo, a eterna capitã e a quem tenho o orgulho de chamar melhor amiga, e a minha treinadora, são grandes responsáveis em tudo que faço e como faço. Não esquecendo o nome de cada uma que fez parte, porque trago em mim um pouco de cada uma de vocês e serão eternamente a minha equipa e só vocês faziam a magia no basket, sim quando digo só vocês, I mean it, porque quando cá cheguei nada do basket ou equipa me pareceu igual, porque a cara que comandava não era
a mesma, as caras de quem lutava comigo e por mim, não eram as mesmas, e nem mesmo o espírito e sabem porque?
Porque fomos únicas. Porque há frases que ficam, e 'juntas estaremos, juntas venceremos' será uma delas.
Obrigada a cada uma de vocês por terem feito a minha infância a melhor que poderia pedir, com dificuldades , não houve um dia que me sentisse menor perto de vocês e obrigada a ti, mãe, coach e eterna amiga, por me teres transmitido tanto, espero um dia puder transmitir a alguém tudo que tu transmitiste.
'I believe I can fly!'"
segunda-feira, 25 de março de 2013
Testemunhos - II
Esta mulher conheceu-nos já nos últimos tempos... Poucos treinos... Minutos de jogo: quase nenhuns... Mesmo assim, sabe muito bem saber que não é a quantidade de minutos que gravamos nos outros, mas a qualidade e a intensidade de todos os que vivemos...
"Cheguei a este país e estava só... Mas quando cheguei a esta equipa, que me recebeu de abraços abertos, senti que tinha encontrado uma segunda família. Estava num mau momento, mas quando estava a com elas e a jogar, sentia-me muito feliz... Os concelhos, as brincadeiras... nunca vou me esquecer destes momentos...e a nossa treinadora foi uma mãe para mim, ajudou-me a crescer e a ultrapassar os momentos mais complicados da minha vida... Fazia tudo para voltar a trás, para viver esses momentos outra vez... Espero um dia voltar a ver-nos todas juntas...
Está tudo gravado no meu coração... O nome de cada uma... Equipa para sempre."
Testemunhos - I
Acabou de chegar o primeiro testemunho prometido. Veio de onde tinha que vir, do exemplo... da capitã de sempre...À equipa não preciso pedir desculpa por esta analogia... pois toda a equipa o sabe... pois toda a equipa o respeita...A minha eterna capitã... Tive várias, mas todas as outras percebem o quanto esta é especial... Há que dizê-lo sem pudores... Uma guerreira incansável...Um reflexo meu dentro do campo... Uma das que privei 10 anos!!! Consecutivos!!!
Levantaste-me tantas taças... Mas deixaste-me levar para sempre a mais importante: a tua amizade e fidelidade incondicional. Por ti tenho o respeito que guardo por muito poucos...
"Desde à bastante tempo que não escrevo sobre um tema que sempre me emocionou, talvez porque não é apenas um tema, talvez porque nunca foi só um tema mas sim um pedaço enorme da minha vida, um pedaço tão grande e entranhado em mim que todas as memórias vivem e aparecem em todos os momentos do meu dia-a-dia.
Levantaste-me tantas taças... Mas deixaste-me levar para sempre a mais importante: a tua amizade e fidelidade incondicional. Por ti tenho o respeito que guardo por muito poucos...
"Desde à bastante tempo que não escrevo sobre um tema que sempre me emocionou, talvez porque não é apenas um tema, talvez porque nunca foi só um tema mas sim um pedaço enorme da minha vida, um pedaço tão grande e entranhado em mim que todas as memórias vivem e aparecem em todos os momentos do meu dia-a-dia.
Desde que lembro de mim como pessoa, é com uma bola de
basket na mão, calções a bater nos tornozelos e camisolas que nunca me
serviram…a verdade é que foi nesse ambiente que me encontrei, não só em criança
mas mais importante, para o futuro. Nunca os olhares ou comentários me
rebaixarem por ser mais pequena, mais franzina, mais frágil…pois tive quem me
ensinasse que a grandeza vem de dentro, crescemos centímetros quando se trata
de alcançar objectivos…
Já não sou mais uma criança, mas tudo aquilo que passei,
todos os momentos fizeram com que a
minha pessoa se fosse construindo e ficando cada vez mais vincada, forte e
independente. Vivi num ambiente lindo e mágico, onde as minhas colegas eram a
minha família, ainda hoje o são, tal como numa família umas longe outras perto
mas sempre presentes em mim. Hoje olho para cada uma delas e fico com uma
lágrima no canto do olho, todas elas são mulheres, têm objectivos, têm um rumo e
isso deixa-me um sorriso enorme.
Gostava de conseguir voltar no tempo e viver tudo, mas ainda
assim não mudaria um único ponto, porque foi tudo aquilo que passamos, o bom e
o mau, foi cada glória e derrota que me fez encarar a vida sem medo ou receio.
Hoje não sou menos feliz por me ter afastado, por ter
perdido alguns momentos…todos os que passei compensam o que poderia vir…hoje
mantenho algumas das amizades, trato-as como uma relíquia, porque sei o valor
daquelas que sobreviveram aos tormentos das decisões.
Conheci neste longo caminho alguém a quem hoje posso chamar
de irmã, alguém com quem me identifico, um dos melhores presentes que a vida
nos pode dar, uma amiga para toda a vida.
Sei que ajudei muitas a crescer, sempre tentei dar o melhor
de mim, pois sempre quis o melhor para elas…queria olhar para trás e sentir
orgulho em cada uma delas. E por isso empenhei e dedico cada gota de suor a
elas, porque cada uma da sua forma particular foram a força nos meus músculos,
o levantar a cabeça nos momentos difíceis.
Tive também a sorte de ser guiada por uma Mulher, sim com M
maiúsculo. Ainda hoje, sempre que toco no nome dela, é sempre a minha
treinadora, e a minha mãe…o meu peito incha de orgulho por ter sido presenteada
com uma amizade como a dela…aquilo que ela me ensinou não foi basket…aquilo que
ela me ensinou aplico hoje, no trabalho, em casa, na vida…
Hoje posso pôr no meu currículo que tenho espírito de
equipa, poucos sabem o que isso é, mas eu sei e posso orgulhar-me de ter essa
característica. Posso dizer que sim, pertenci a uma grande equipa, feita de
grandes Mulheres lutadoras, liderada por uma Mulher guerreira sem comparação.
Um amor que partilhei com pessoas de quem gosto e respeito,
deu-me amigos, deu-me família, deu-me tudo aquilo que eu podia pedir…mas mais
importante que tudo, deu-me sonhos. Alguns atingidos, outros ainda por
atingir…mas uma das maiores lições que aprendi neste mundo é que enquanto
acreditarmos, o sonho permanece no nosso caminho.
A minha vida é movida por sonhos, objectivos e tentar estar
com quem me percebe e me faz feliz…de tantas medalhas que tenho, o basket
deu-me uma invisível que carrego com orgulho no peito: A Medalha de ouro da
amizade."
Viagem
Quase 2 anos e meio sem desvirtuar uma única linha deste espaço que me foi tão querido… Porquê?
Porque a vida muda e a nossa história muda com ela… E como mudou a minha…
Este foi um espaço criado para falar do lado B de uma treinadora… Um espaço para a mulher que morava dentro dela…
Já não sou treinadora há quase 3 anos.
Mas os textos, as palavras… esses existem amontoadas em folhas de papel… e por lá moram até hoje. Nunca tiveram vida fora delas.
Ao remexer nesse amontoado de vida, debruados com tanta paixão, foi impossível não ser traída pela memória e emergir-me a recordação do meu querido Blog.
“Atrasdeumnome” não é apenas um blog sobre as minhas histórias… Não é apenas um palco egocêntrico de vaidades… “Atrasdeumnome” encerra muitas histórias, dezenas de pequenas histórias, de grandes pessoas, de pessoas importantes para mim.
Aqui foram publicados os primeiros excertos de mais uma grande paixão: o livro «História de uma treinadora que é mulher», mas a mulher já não é treinadora e o livro permaneceu ali, pela metade. Aqui senti o insucesso de algo deixado a meio. Mas a vida não volta atrás e a mulher não voltará a ser treinadora… Logo, o livro não passará de uma intensão, meio revolucionária de outros tempos.
Hoje não reivindico nada… Não sinto aquele fulgor… Apenas sinto que posso imortalizar mais alguns momentos e partilhá-los com aqueles que fizeram a minha história. Os textos que aqui deixarei, foram todos escritos antes de Julho de 2011. Fazem parte de uma vida que já não vivo, mas que foi minha.
Tentarei deixar alguns testemunhos daquelas que foram a minha maior vitória: as minhas pitas. Este sim, testemunhos atuais, não das meninas que vi crescer, mas das mulheres que se tornaram…
Todo o resto, são apenas histórias que ficaram lá atrás. Nada pretendem para além da partilha.
E no final, encerrar um ciclo, e quem sabe voltar a escrever, atrás do mesmo nome, mas dentro de uma mulher profundamente diferente. Não imaginam o quanto…
Deixo também o alerta, pois a minha vida agora é branca e é o branco que eu procuro… A paz… A tranquilidade… A vida já foi madrasta que chegue… Portanto, a todas as pessoas cinzentas que se cruzaram comigo e não gostaram, e ainda não gostam: este é o meu blog e todos os comentários têm que ser aceites por mim para serem publicados, então, não percam tempo comigo… Não escrevam o que não vou publicar… Ignorem-me… Tal como vos farei…
Espero relembrar os dias de sol…
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Ser mitológico
(Este texto andava perdido, deve datar de Dezembro de 2009)
As intrigas ferem-me, não me matam!
As injúrias, as blasfémias, as ameaças… Todos me ferem, nenhum me mata!
Houve tempos, em que os vossos punhais pontiagudos, dilaceravam o meu corpo, mas dele, nem uma gota de sangue jorrava… Via os vossos rostos insatisfeitos… Isso dava-me um poder que não consigo descrever. Foi esse poder, que durante muito tempo me fez acreditar, que não era feita da comum carne dos mortais. Quantos mais punhais craváveis no meu corpo, mais o meu poder transbordava nos vossos olhos. Nunca me perdoastes, por não ter as vossas mãos manchadas com o meu sangue. O meu poder subia, irritantemente…
O meu corpo reagia, petulante, o meu rosto tomava feições de arrogância… Nada foi construído por mim. Tudo nasceu da inconformidade dos vossos olhos, da ausência do meu sangue.
Talvez se tivesse sangrado na primeira facada, talvez não sofresse hoje da ira multiplicada, talvez fosse apenas mais uma mulher na linha do destino, ao ritmo do fado.
Hoje, descobri que estou longe de ser um ser mitológico… Vi as primeiras gotas do meu sangue escorrerem no meu corpo… Não brotaram de nenhuma chaga… Começaram por cair dos olhos…
Sentada em casa, recupero das feridas, longe da minha vida.
Sei que se curarão… Sei que voltarei a não sangrar… Em breve estarei de volta só para ver a insatisfação nos vossos olhos…
Feristes-me! Não me matastes!
Protagonismo?! Nunca o procurei. Vós sempre mo trouxestes de bandeja.
As intrigas ferem-me, não me matam!
As injúrias, as blasfémias, as ameaças… Todos me ferem, nenhum me mata!
Houve tempos, em que os vossos punhais pontiagudos, dilaceravam o meu corpo, mas dele, nem uma gota de sangue jorrava… Via os vossos rostos insatisfeitos… Isso dava-me um poder que não consigo descrever. Foi esse poder, que durante muito tempo me fez acreditar, que não era feita da comum carne dos mortais. Quantos mais punhais craváveis no meu corpo, mais o meu poder transbordava nos vossos olhos. Nunca me perdoastes, por não ter as vossas mãos manchadas com o meu sangue. O meu poder subia, irritantemente…
O meu corpo reagia, petulante, o meu rosto tomava feições de arrogância… Nada foi construído por mim. Tudo nasceu da inconformidade dos vossos olhos, da ausência do meu sangue.
Talvez se tivesse sangrado na primeira facada, talvez não sofresse hoje da ira multiplicada, talvez fosse apenas mais uma mulher na linha do destino, ao ritmo do fado.
Hoje, descobri que estou longe de ser um ser mitológico… Vi as primeiras gotas do meu sangue escorrerem no meu corpo… Não brotaram de nenhuma chaga… Começaram por cair dos olhos…
Sentada em casa, recupero das feridas, longe da minha vida.
Sei que se curarão… Sei que voltarei a não sangrar… Em breve estarei de volta só para ver a insatisfação nos vossos olhos…
Feristes-me! Não me matastes!
Protagonismo?! Nunca o procurei. Vós sempre mo trouxestes de bandeja.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Metáfora do presente
Caminho à noite na floresta.
Os trovões penetram-me estrondosamente, bloqueando-me os pensamentos. Não há lua nem luar… A noite é pesada e escura…
Caminho descalça na floresta… Desbastada pelos incêndios… O vento não agita os ramos, assobiando-me verde esperança. Não agita os ramos, pois não há árvores, nem ninhos… Apenas cinzas…
Não se ouve o uivar dos lobos, nem o canto das corujas… Não há vida…
Continuo a caminhar descalça na floresta, e os meus pés sangram…
A chuva mistura-me as lágrimas… A cada passo os meus pés sangram mais…. A cada passo o nevoeiro adensa-se…
Eu sei porque caminho, só não percebo a tempestade…
Finalmente, a encruzilhada…
Os pés não aguentam o corpo, e caio de joelhos…
Mais um trovão, mais chuva, mais nevoeiro…
Ajoelhada na encruzilhada, limpo as lágrimas, mas não limpo a visão…
A noite escura não pode esperar… Não mais…
A floresta espera a minha escolha….
De joelhos em frente à encruzilhada, tenho mesmo que avançar…
Vou pelo caminho que quero, ou, pelo que sei que tenho que ir?
Os trovões penetram-me estrondosamente, bloqueando-me os pensamentos. Não há lua nem luar… A noite é pesada e escura…
Caminho descalça na floresta… Desbastada pelos incêndios… O vento não agita os ramos, assobiando-me verde esperança. Não agita os ramos, pois não há árvores, nem ninhos… Apenas cinzas…
Não se ouve o uivar dos lobos, nem o canto das corujas… Não há vida…
Continuo a caminhar descalça na floresta, e os meus pés sangram…
A chuva mistura-me as lágrimas… A cada passo os meus pés sangram mais…. A cada passo o nevoeiro adensa-se…
Eu sei porque caminho, só não percebo a tempestade…
Finalmente, a encruzilhada…
Os pés não aguentam o corpo, e caio de joelhos…
Mais um trovão, mais chuva, mais nevoeiro…
Ajoelhada na encruzilhada, limpo as lágrimas, mas não limpo a visão…
A noite escura não pode esperar… Não mais…
A floresta espera a minha escolha….
De joelhos em frente à encruzilhada, tenho mesmo que avançar…
Vou pelo caminho que quero, ou, pelo que sei que tenho que ir?
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O meu perfil
Há algum tempo atrás, fui convidada a participar num programa de uma rádio local. O objectivo era falar sobre o livro que estou a escrever, “História de uma treinadora que é mulher”. Inevitavelmente, a jornalista acabou por fazer referência a este Blog. Entre muitas perguntas, houve uma em particular, que me chamou a atenção e me surpreendeu…Começou por citar o que eu havia escrito no meu perfil, e desafiou-me a explicar…
Mas não só a jornalista, em conversas, várias pessoas acharam curiosa a descrição, e me perguntavam, onde queria chegar com aquilo…
Pois então…
O Blog chama-se atrás de um nome, e a ideia é mostrar a mulher que vive por trás da treinadora, que no fundo, é exactamente a mesma pessoa, os intransigentes olhos do outros, é que nem se dão ao trabalho de a procurar.
A verdade, é que penso que é esta a imagem que crio nas pessoas. Não penso, crio mesmo.
Arrogante, antipática, com a mania, nariz empinado e não desço do meu pedestal...
Muitos foram os que afirmaram tal perfil antecipado, e inúmeras foram as vezes que ouvi a frase: «não era mesmo esta a imagem que tinha de ti» Explicada a forma como termina a caracterização do meu perfil: «Pelo menos é o que diz quem não me conhece»
Mas para mim, é importante ir mais além…
Porque criei essa imagem, se para a maioria das pessoas, ela não corresponde à realidade?
Claro que tenho que por a hipótese de criar mesmo esta afiguração, tantas são as alusões a este perfil, para mim desconhecido.
Reflecti…
Encontrei duas justificações, que podem servir separadas, embora para mim, elas coexistam.
Iniciei a minha carreira como treinadora aos 19 anos. Talvez inconscientemente, tenha criado uma imagem rígida e severa, para me proteger da minha tenra idade.
Não é, e não foi fácil, criar uma imagem de credibilidade para pais e atletas, com apenas 19 anos… Talvez me tenha refugiado na imagem de arrogante e prepotente, para me defender. Mas se essa imagem existia nessa altura, ela era mesmo, como diz o velho ditado, “para inglês ver”, pois acho que nunca fui tão humilde e carente de ajuda, como naqueles anos iniciais… Nunca ouvi tanto… Nunca tanto procurei ouvir e aprender…
Mas hoje, não sinto necessidade de me proteger. Porque continuarei a manter essa imagem?
Talvez ela se tivesse enraizado em mim e tornado numa imagem de marca… Uma imagem, que não vende definitivamente para as bancadas, mas continua a vender no balneário, curiosamente, junto das que mais sabem que essa imagem é uma mentira… Paradoxo este, que não consigo explicar… apenas sei que funciona.
Depois entra a personalidade própria…
A maioria a nossa sociedade, continua a confundir frontalidade, com arrogância e prepotência…
Não sorrio quando não me apetece sorrir, nem a quem não me apetece sorrir… Não falo com quem não me apetece falar… Não sou simpática só porque deveria ser, não gosto de toda a gente, muito menos à primeira vista… E aqui a lista seria extensa…
Se esta última parte, à qual chamo “personalidade própria”, faz de mim alguém arrogante… então a descrição do meu perfil não é uma brincadeira, eu sou mesmo tudo isso. E sendo assim já não me incomoda…
Sabem a melhor parte? Se assim for, orgulho-me em ser tudo isso que crio à primeira vista, e tudo farei para que nunca mude.
Talvez não seja eu que estou errada, talvez seja a vossa tabela de valores… Talvez sejam os vossos olhos… E aí nada posso fazer… Esse é o vosso trabalho…
A vossa introspecção!
Mas não só a jornalista, em conversas, várias pessoas acharam curiosa a descrição, e me perguntavam, onde queria chegar com aquilo…
Pois então…
O Blog chama-se atrás de um nome, e a ideia é mostrar a mulher que vive por trás da treinadora, que no fundo, é exactamente a mesma pessoa, os intransigentes olhos do outros, é que nem se dão ao trabalho de a procurar.
A verdade, é que penso que é esta a imagem que crio nas pessoas. Não penso, crio mesmo.
Arrogante, antipática, com a mania, nariz empinado e não desço do meu pedestal...
Muitos foram os que afirmaram tal perfil antecipado, e inúmeras foram as vezes que ouvi a frase: «não era mesmo esta a imagem que tinha de ti» Explicada a forma como termina a caracterização do meu perfil: «Pelo menos é o que diz quem não me conhece»
Mas para mim, é importante ir mais além…
Porque criei essa imagem, se para a maioria das pessoas, ela não corresponde à realidade?
Claro que tenho que por a hipótese de criar mesmo esta afiguração, tantas são as alusões a este perfil, para mim desconhecido.
Reflecti…
Encontrei duas justificações, que podem servir separadas, embora para mim, elas coexistam.
Iniciei a minha carreira como treinadora aos 19 anos. Talvez inconscientemente, tenha criado uma imagem rígida e severa, para me proteger da minha tenra idade.
Não é, e não foi fácil, criar uma imagem de credibilidade para pais e atletas, com apenas 19 anos… Talvez me tenha refugiado na imagem de arrogante e prepotente, para me defender. Mas se essa imagem existia nessa altura, ela era mesmo, como diz o velho ditado, “para inglês ver”, pois acho que nunca fui tão humilde e carente de ajuda, como naqueles anos iniciais… Nunca ouvi tanto… Nunca tanto procurei ouvir e aprender…
Mas hoje, não sinto necessidade de me proteger. Porque continuarei a manter essa imagem?
Talvez ela se tivesse enraizado em mim e tornado numa imagem de marca… Uma imagem, que não vende definitivamente para as bancadas, mas continua a vender no balneário, curiosamente, junto das que mais sabem que essa imagem é uma mentira… Paradoxo este, que não consigo explicar… apenas sei que funciona.
Depois entra a personalidade própria…
A maioria a nossa sociedade, continua a confundir frontalidade, com arrogância e prepotência…
Não sorrio quando não me apetece sorrir, nem a quem não me apetece sorrir… Não falo com quem não me apetece falar… Não sou simpática só porque deveria ser, não gosto de toda a gente, muito menos à primeira vista… E aqui a lista seria extensa…
Se esta última parte, à qual chamo “personalidade própria”, faz de mim alguém arrogante… então a descrição do meu perfil não é uma brincadeira, eu sou mesmo tudo isso. E sendo assim já não me incomoda…
Sabem a melhor parte? Se assim for, orgulho-me em ser tudo isso que crio à primeira vista, e tudo farei para que nunca mude.
Talvez não seja eu que estou errada, talvez seja a vossa tabela de valores… Talvez sejam os vossos olhos… E aí nada posso fazer… Esse é o vosso trabalho…
A vossa introspecção!
domingo, 13 de setembro de 2009
Tabatha
Sábado…
Hoje acordei cedo…
Deitada no preto sofá da sala, resta-me um zapping pela televisão, na esperança que algo de interessante me ocupasse, até à hora dos normais mortais acordarem, para mais uma vírgula da vida…
Paro num dos meus canais de eleição, a Fox Life, embora a esta hora, até mesmo aqui, seja difícil encontrar algo de interessante que me distraia. Não está a passar nenhuma das minhas séries predilectas.
«Ao estilo de Tabatha», é o que a programação me reserva. Uma famosa cabeleireira americana tenta dar um rumo sustentável, a salões decadentes que esbarram a falência.
Não me interesso por remodelações em salões de cabeleireiro, mas mesmo assim, colei no ecrã. Tabatha, não pretendia mudar só o aspecto físico dos salões, ou aperfeiçoar as técnicas utilizadas pelos funcionários… queria mudar também a mentalidade de todo o clã do salão, acomodados aos erros e agruras do dia-a-dia. Ela queria vender-lhes vida, vender-lhes uma alma.
Gostei!!!
Gostei ainda mais, por se tratar de uma mulher, que a sociedade define como arrogante, prepotente, inconveniente… Todos lhe reconheciam o talento, mas muito poucos, o modo como se exprimia.
A mim, pareceu-me uma mulher sincera, directa, que não utiliza eufemismos para uma verdade dolorosa, mas verdade.
É de facto algo a que poucos estão habituados, e menos ainda, os que estão aptos a enfrentar tal personalidade.
A meio do programa, Tabatha define uma das funcionárias: sem um sorriso na cara, enumerou todos os seus pontos fracos (concordei com tudo), a funcionária, essa não aguentou, e correu para outro compartimento do salão aos prantos. Atrás dela seguiu uma vasta comitiva de consolo.
Todos demonstravam pena da funcionária, repetindo incessantemente: «coitadinha», toda a equipa a consolava, como se uma catástrofe tivesse abalado todo o seu mundo e posto em causa toda a sua vida. Como se ela, não tivesse apenas ouvido um rol de verdades, que alguém já deveria ter feito, em prol do desenvolvimento sustentável da empresa.
Ao mesmo tempo, recriminavam a cruel, a arrogante e fria Tabatha.
O monstro que tinha dito a verdade, no seu estado mais puro.
Fez-me pensar…
Decididamente a nossa sociedade não está preparada para ouvir as verdades dolorosas, muito menos de um modo tão frontal e directo. Catalogando de imediato os emissores, de arrogantes e prepotentes, afastando-os… preferindo a seu lado, as mentes subjugadas que os acalentam com omissões.
Esta é uma sociedade, que prefere sempre tomar partido, da parte frágil que chora, mesmo que a razão não acompanhe as lágrimas. A sociedade dos pobres coitados… Que protege a fragilidade da personalidade e a inércia.
Mais chocante ainda, é a não aceitação da personalidade diferente, da verdadeira, da razão… sendo logo rotulada de adjectivos poucos dignificantes e construtivos.
Permitimos que os fracos chorem, no lugar de enfrentar a verdade e dar passos em frente, e crucificamos o emissor da pura mensagem, só porque não coloca um sorriso nos lábios, não usa um discurso político, ou lhe conta essa mesma verdade chorando também, e fazendo-lhe crer, que também para ela aquela conversa está a ser dura.
Sim, há pessoas arrogantes…
Mas parem e pensem, no que é realmente a arrogância. Porque, a barreira com a frontalidade é ténue, mas existe…
Tabatha, como te compreendo...
Hoje acordei cedo…
Deitada no preto sofá da sala, resta-me um zapping pela televisão, na esperança que algo de interessante me ocupasse, até à hora dos normais mortais acordarem, para mais uma vírgula da vida…
Paro num dos meus canais de eleição, a Fox Life, embora a esta hora, até mesmo aqui, seja difícil encontrar algo de interessante que me distraia. Não está a passar nenhuma das minhas séries predilectas.
«Ao estilo de Tabatha», é o que a programação me reserva. Uma famosa cabeleireira americana tenta dar um rumo sustentável, a salões decadentes que esbarram a falência.
Não me interesso por remodelações em salões de cabeleireiro, mas mesmo assim, colei no ecrã. Tabatha, não pretendia mudar só o aspecto físico dos salões, ou aperfeiçoar as técnicas utilizadas pelos funcionários… queria mudar também a mentalidade de todo o clã do salão, acomodados aos erros e agruras do dia-a-dia. Ela queria vender-lhes vida, vender-lhes uma alma.
Gostei!!!
Gostei ainda mais, por se tratar de uma mulher, que a sociedade define como arrogante, prepotente, inconveniente… Todos lhe reconheciam o talento, mas muito poucos, o modo como se exprimia.
A mim, pareceu-me uma mulher sincera, directa, que não utiliza eufemismos para uma verdade dolorosa, mas verdade.
É de facto algo a que poucos estão habituados, e menos ainda, os que estão aptos a enfrentar tal personalidade.
A meio do programa, Tabatha define uma das funcionárias: sem um sorriso na cara, enumerou todos os seus pontos fracos (concordei com tudo), a funcionária, essa não aguentou, e correu para outro compartimento do salão aos prantos. Atrás dela seguiu uma vasta comitiva de consolo.
Todos demonstravam pena da funcionária, repetindo incessantemente: «coitadinha», toda a equipa a consolava, como se uma catástrofe tivesse abalado todo o seu mundo e posto em causa toda a sua vida. Como se ela, não tivesse apenas ouvido um rol de verdades, que alguém já deveria ter feito, em prol do desenvolvimento sustentável da empresa.
Ao mesmo tempo, recriminavam a cruel, a arrogante e fria Tabatha.
O monstro que tinha dito a verdade, no seu estado mais puro.
Fez-me pensar…
Decididamente a nossa sociedade não está preparada para ouvir as verdades dolorosas, muito menos de um modo tão frontal e directo. Catalogando de imediato os emissores, de arrogantes e prepotentes, afastando-os… preferindo a seu lado, as mentes subjugadas que os acalentam com omissões.
Esta é uma sociedade, que prefere sempre tomar partido, da parte frágil que chora, mesmo que a razão não acompanhe as lágrimas. A sociedade dos pobres coitados… Que protege a fragilidade da personalidade e a inércia.
Mais chocante ainda, é a não aceitação da personalidade diferente, da verdadeira, da razão… sendo logo rotulada de adjectivos poucos dignificantes e construtivos.
Permitimos que os fracos chorem, no lugar de enfrentar a verdade e dar passos em frente, e crucificamos o emissor da pura mensagem, só porque não coloca um sorriso nos lábios, não usa um discurso político, ou lhe conta essa mesma verdade chorando também, e fazendo-lhe crer, que também para ela aquela conversa está a ser dura.
Sim, há pessoas arrogantes…
Mas parem e pensem, no que é realmente a arrogância. Porque, a barreira com a frontalidade é ténue, mas existe…
Tabatha, como te compreendo...
Subscrever:
Mensagens (Atom)