1 de Agosto de 2009.
Daqui a rigorosamente um mês, começará a minha época. A força já me invade, os objectivos já me aspergem na cabeça, que gira em volta de esquemas tácticos.
Sinto saudades do som da bola a bater, de caminhar de um lado para o outro do campo, incentivando, corrigindo, muitas vezes bramindo. Sinto saudades do jogo! Sinto essencialmente saudades do jogo… É lá que mais me sinto florescente, vibrante… Amo o treino, mas é no jogo que me sinto viva… Sinto-me uma criança num parque de diversões, deliciada com cada momento, degustando cada passo… A palestra no balneário… O cumprimento dos árbitros, ser chamada à mesa para dar o 5… Tudo é fascinante… E o fascínio é o mesmo todas as semanas… As últimas palavras no banco… O grito… O cumprimento das atletas que vão entrar em campo, e depois uma a uma das que ficam no banco, no fim a minha equipa técnica… São os mesmos rituais todas as semanas, mas não perdem o charme, o significado… Depois começa o inesperado… O árbitro inicia o jogo, e a partir daí…tudo se pode esperar… Sinto-me crescer… Vibrar… Sofrer… Às vezes não me reconheço, porque quando a paixão pelo jogo atinge determinados limites, aparece uma mulher, que eu mesma tenho dificuldades em reconhecer… Como amo todos estes rituais… Como amo estar em campo… os descontos de tempo, as costas viradas ao jogo, os monólogos com o céu ou as paredes, as substituições, os berros para dentro de campo (sim, berros, pois a minha vozinha de mulher, não me ajuda na comunicação para dentro do campo) … Escrevo e sinto um arrepio, como se estivesse agora em campo, sempre de pé, de marcador na mão a gesticular… Hum… As conversas com os árbitros… que saudades das nossas conversas ao longo do jogo… Não são na sua maioria amistosas, não falamos de bons restaurantes… mas eu adoro-as. …
Mas estes rituais começam muito antes, começam ainda em casa…
Gosto de estar sozinha antes dos jogos, gosto de ouvir música…
Em seguida os preparativos, é preciso trajar-me a rigor. Sempre igual. Fato de treino do clube, pólo do clube, cabelo sempre preso.
É aqui que entra a curiosidade de muitos. Várias vezes tenho sido questionada do porquê de ser a única a trajar sempre com fato completo, e o porquê do cabelo sempre preso, imagem de marca de vários anos.
Pois bem, esta é uma explicação, que em nada vem de encontro com a igualdade que tanto venho defendendo. Embora, enorme seja o meu orgulho em ser mulher, é precisamente isso que pretendo disfarçar em campo. Detestaria que alguém no final do jogo, comentasse o modelo das minhas calças, ou o corte do meu cabelo… Ali não sou mulher… Sou treinadora… E os treinadores são como os anjos: não têm sexo.
domingo, 9 de agosto de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
Mourinha
Muitos são ao longo dos anos, os que me têm perguntado, a origem da alcunha Mourinha, com que me tratam as minhas atletas e alguns adeptos. É este o nome que se houve gritar nas apresentações, que circula nos fóruns, nas bancadas, em conversas… e há ainda a famigerada música, interpretada pela equipa, a cada título conquistado…
Pois bem… Podia começar, ao jeito dos contos infantis, com um: “Foi há muito, muito tempo…”
Mourinha, deriva como sugere, da analogia a esse ícone de treinador: José Mourinho.
Era ainda o Mourinho treinador do FC Porto, bem nos seus inícios, quando a comunicação social e muitos adeptos, começam a falar de um termo, hoje muito vulgar, o treino psicológico.
Os média deliciavam-se e deliciavam-nos, com os famosos “Mind Games”, do carismático treinador…
Bem longe do mediatismo atribuído ao Mourinho, a equipa identificava alguns dos seus jogos psicológicos, utilizados por mim. Tudo isto, claro, à escala de uma treinadora menos experiente, de um campeonato menos exigente, mas sobretudo de um mundo muito mais esquecido, e menos mediático.
No balneário, começavam a surgir então, as comparações com o Mourinho. Dado que as preocupações, ao nível do treino psicológico eram tão vagas, era fácil, alguém fazer-se notar.
A alcunha carimba-se com um episódio, que é para mim um misto, de boas e dolorosas recordações.
No fim-de-semana anterior à minha primeira final distrital, disputávamos um jogo, que só servia para cumprir calendário, pois já estavam encontradas as duas finalistas. Curiosamente, este jogo, opunha as mesmas equipas, que no fim-de-semana seguinte, disputariam o título distrital.
Para esse jogo, o presidente do Concelho de Arbitragem Distrital (CAD) de Braga, nomeou um árbitro para apitar o encontro. Tudo normal, não fosse o presidente do CAD, o árbitro e o treinador da equipa adversária, a mesma pessoa!!!
Resultado: o jogo não terminou e eu havia sido expulsa…
Imagino que agora todos esperavam ler as ocorrências daquela partida, talvez isso fosse a parte mais interessante deste texto. Lamento, mas não vou contar… Não sei quem vai ler este texto. Pode ser lido por crianças, ou mais tarde, pelos meus próprios filhos… Acontece, que não encontro adjectivos para contar esta história, que possam ser lidos por crianças, ou mentes mais conservadoras e pudicas.
Desse jogo guardo tudo…
Lembro-me que chorei imenso em casa, pois aos 21 anos tinha alcançado a minha primeira final Distrital, e não a iria ver do banco…
Mesmo consciente da armadilha preparada, culpei-me por essa ausência. Eu e a minha ingenuidade, própria de início de carreira, permitiram que a verdade desportiva não imperasse, e aqui a patinha, ia mesmo ver a final da bancada.
Foi a minha primeira grande lição!
Chegou o dia da ansiada final.
Apenas me foi permitido dar a palestra no balneário… Lembro-me tão bem dos disparates que lhes disse, para as tranquilizar… Foi a minha primeira grande palestra, e para mim, das melhores que já fiz…
Dias, ou semanas antes, uma polémica arbitragem que prejudicou o FC Porto, levou o Mourinho a proferir a seguinte frase: «Em condições normais, seríamos campeões, em condições anormais, também seremos campeões.»
Foi com essa frase, que concluí a minha palestra…
Em uníssono, a equipa levanta-se, e abraçando-me, ouviu-se: “Mourinha”
Foi assim que tudo começou…
Depois veio a música, com que as minhas compositoras improvisadas, me presentearam: “Lá, lá, lá… Mourinha… Lá, lá, lá… Guerreira… Lá, lá, lá…. Amiga…. Eterna e verdadeira…” Esta é a ode, com que me presenteiam a cada conquista, a cada título…
O nome passou do balneário para as bancadas, das bancadas para os sites e fóruns… e assim nasceu a Mourinha.
Fenómeno que vai desaparecendo, vou deixando cada vez mais de ser a Mourinha, para me tornar a Patrícia Atilano. Agrada-me! Embora esta alcunha me tenha acompanhado, em muitos dos dias mais felizes da minha vida.
Pois bem… Podia começar, ao jeito dos contos infantis, com um: “Foi há muito, muito tempo…”
Mourinha, deriva como sugere, da analogia a esse ícone de treinador: José Mourinho.
Era ainda o Mourinho treinador do FC Porto, bem nos seus inícios, quando a comunicação social e muitos adeptos, começam a falar de um termo, hoje muito vulgar, o treino psicológico.
Os média deliciavam-se e deliciavam-nos, com os famosos “Mind Games”, do carismático treinador…
Bem longe do mediatismo atribuído ao Mourinho, a equipa identificava alguns dos seus jogos psicológicos, utilizados por mim. Tudo isto, claro, à escala de uma treinadora menos experiente, de um campeonato menos exigente, mas sobretudo de um mundo muito mais esquecido, e menos mediático.
No balneário, começavam a surgir então, as comparações com o Mourinho. Dado que as preocupações, ao nível do treino psicológico eram tão vagas, era fácil, alguém fazer-se notar.
A alcunha carimba-se com um episódio, que é para mim um misto, de boas e dolorosas recordações.
No fim-de-semana anterior à minha primeira final distrital, disputávamos um jogo, que só servia para cumprir calendário, pois já estavam encontradas as duas finalistas. Curiosamente, este jogo, opunha as mesmas equipas, que no fim-de-semana seguinte, disputariam o título distrital.
Para esse jogo, o presidente do Concelho de Arbitragem Distrital (CAD) de Braga, nomeou um árbitro para apitar o encontro. Tudo normal, não fosse o presidente do CAD, o árbitro e o treinador da equipa adversária, a mesma pessoa!!!
Resultado: o jogo não terminou e eu havia sido expulsa…
Imagino que agora todos esperavam ler as ocorrências daquela partida, talvez isso fosse a parte mais interessante deste texto. Lamento, mas não vou contar… Não sei quem vai ler este texto. Pode ser lido por crianças, ou mais tarde, pelos meus próprios filhos… Acontece, que não encontro adjectivos para contar esta história, que possam ser lidos por crianças, ou mentes mais conservadoras e pudicas.
Desse jogo guardo tudo…
Lembro-me que chorei imenso em casa, pois aos 21 anos tinha alcançado a minha primeira final Distrital, e não a iria ver do banco…
Mesmo consciente da armadilha preparada, culpei-me por essa ausência. Eu e a minha ingenuidade, própria de início de carreira, permitiram que a verdade desportiva não imperasse, e aqui a patinha, ia mesmo ver a final da bancada.
Foi a minha primeira grande lição!
Chegou o dia da ansiada final.
Apenas me foi permitido dar a palestra no balneário… Lembro-me tão bem dos disparates que lhes disse, para as tranquilizar… Foi a minha primeira grande palestra, e para mim, das melhores que já fiz…
Dias, ou semanas antes, uma polémica arbitragem que prejudicou o FC Porto, levou o Mourinho a proferir a seguinte frase: «Em condições normais, seríamos campeões, em condições anormais, também seremos campeões.»
Foi com essa frase, que concluí a minha palestra…
Em uníssono, a equipa levanta-se, e abraçando-me, ouviu-se: “Mourinha”
Foi assim que tudo começou…
Depois veio a música, com que as minhas compositoras improvisadas, me presentearam: “Lá, lá, lá… Mourinha… Lá, lá, lá… Guerreira… Lá, lá, lá…. Amiga…. Eterna e verdadeira…” Esta é a ode, com que me presenteiam a cada conquista, a cada título…
O nome passou do balneário para as bancadas, das bancadas para os sites e fóruns… e assim nasceu a Mourinha.
Fenómeno que vai desaparecendo, vou deixando cada vez mais de ser a Mourinha, para me tornar a Patrícia Atilano. Agrada-me! Embora esta alcunha me tenha acompanhado, em muitos dos dias mais felizes da minha vida.
Desconjugação
As pessoas...
O tempo precisa de fios condutores,
De mitos
De heróis
De estrelas
E neles rabisca uma vida.
Uma mão arrasta-me para o culto,
Ameaçadora!
A outra tira-me a amordaça
E lança-me na nascente de um rio.
O palácio do dogma está a arder...
Eu,
Aqueço-me nas suas brasas!
Sou jovem demais para ser velha.
O tempo precisa de fios condutores,
De mitos
De heróis
De estrelas
E neles rabisca uma vida.
Uma mão arrasta-me para o culto,
Ameaçadora!
A outra tira-me a amordaça
E lança-me na nascente de um rio.
O palácio do dogma está a arder...
Eu,
Aqueço-me nas suas brasas!
Sou jovem demais para ser velha.
sábado, 25 de julho de 2009
Vicissitudes
Às vezes paro para pensar no inicio da minha carreira…
Nunca tinha jogado basket… Tinha praticado voleibol, e este novo desafio tinha tanto de novidade como de assustador.
Todos achavam graça à dedicação da menina, que pouco ou nada sabia de basquetebol, mas, era contagiante a determinação com que buscava a aprendizagem, com que diligenciava a essência deste mundo desconhecido, desta coisa do basquetebol. Poucos questionavam o meu trabalho e desempenho, enfatizando sempre a vontade de evoluir e aprender. Muitos eram os que me amavam, poucos os que me odiavam…
10 anos passaram…
Hoje, sinto o equilíbrio como nota dominante, entre os que me amam e os que me odeiam…
Depois de muita aprendizagem, muitos cursos, clinic’s, acções de formação, erros traduzidos em experiência…
Não encontro comparação com a miúda vinda do voleibol. Sou hoje, uma treinadora muito mais completa. Os títulos apareceram, para solidificar e comprovar essa evolução. No entanto, apareceram as críticas, e muitas… Muitos são agora os que põem em causa o meu trabalho, as minhas opções… Muitas vezes, os mesmos que admiravam a ingénua menina.
Sinto que está para breve, o momento em que os que me odeiam suplantarão os que me amam. Aí, sorrirei!!! Nessa altura, serei uma figura de relevo no desporto nacional.
Nunca tinha jogado basket… Tinha praticado voleibol, e este novo desafio tinha tanto de novidade como de assustador.
Todos achavam graça à dedicação da menina, que pouco ou nada sabia de basquetebol, mas, era contagiante a determinação com que buscava a aprendizagem, com que diligenciava a essência deste mundo desconhecido, desta coisa do basquetebol. Poucos questionavam o meu trabalho e desempenho, enfatizando sempre a vontade de evoluir e aprender. Muitos eram os que me amavam, poucos os que me odiavam…
10 anos passaram…
Hoje, sinto o equilíbrio como nota dominante, entre os que me amam e os que me odeiam…
Depois de muita aprendizagem, muitos cursos, clinic’s, acções de formação, erros traduzidos em experiência…
Não encontro comparação com a miúda vinda do voleibol. Sou hoje, uma treinadora muito mais completa. Os títulos apareceram, para solidificar e comprovar essa evolução. No entanto, apareceram as críticas, e muitas… Muitos são agora os que põem em causa o meu trabalho, as minhas opções… Muitas vezes, os mesmos que admiravam a ingénua menina.
Sinto que está para breve, o momento em que os que me odeiam suplantarão os que me amam. Aí, sorrirei!!! Nessa altura, serei uma figura de relevo no desporto nacional.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Carta para o céu
Tinha 16 anos... A fatídica notícia chagava... A morte da minha avó. A morte do meu ídolo. A minha ciganinha, como lhe chamava, depois de resistir heroicamente 10 anos a uma hepatite b, sucumbia numa cama de hospital... E eu recebi a notícia em primeira mão... Eu tratei de tudo no hospital, iluminada por uma maturidade que desconhecia em mim... Ela não queria uma capela mortuária, sempre mo disse... queria ser velada em sua casa. Assim foi... dei instruções para que assim fosse. Tinha apenas 16 anos... Mas até o velório da minha ciganinha foi liderado por mim... Já em casa, e com os adultos a assumirem o comando do funeral, chegou a altura de escrever no cartão do meu ramo de flores uma mensagem, aqui vos deixo a que escrevi. Este é o meu blog, e embora sendo triste, não podia passar sem deixar uma homenagem ao meu maior ídolo, a minha avó e madrinha, que vive dentro de mim, embora a sua voz e o seu rosto, se diluam na minha traiçoeira memória...
Carta para o céu
Avó:
Lembro-me bem dos teus olhos,
Sempre tão doces e meigos,
Postos em mim.
Abrigada no teu regaço
Fixava teus lábios
Que começavam:
«Era uma vez...»
Mais uma história,
Mais um Improviso.
Nunca foste à escola!
Onde apredeste essas histórias?
Onde aprendeste a inventá-las?
Agora choro-te
E lembro-te,
Adormecida na fúnebre sala de visitas.
Esperava-te acordar,
Para me contares mais uma história...
Mas não acordaste.
Não mais ouvi teus lábios:
«Era uma vez uma princesa,
De um reino Longínquo.»
Choro lágrimas de silêncio.
Até breve.
Da tua neta
Carta para o céu
Avó:
Lembro-me bem dos teus olhos,
Sempre tão doces e meigos,
Postos em mim.
Abrigada no teu regaço
Fixava teus lábios
Que começavam:
«Era uma vez...»
Mais uma história,
Mais um Improviso.
Nunca foste à escola!
Onde apredeste essas histórias?
Onde aprendeste a inventá-las?
Agora choro-te
E lembro-te,
Adormecida na fúnebre sala de visitas.
Esperava-te acordar,
Para me contares mais uma história...
Mas não acordaste.
Não mais ouvi teus lábios:
«Era uma vez uma princesa,
De um reino Longínquo.»
Choro lágrimas de silêncio.
Até breve.
Da tua neta
Dissecação
Paredes do meu quarto,
Se vós falásseis...
Em vós tatuei
Os medos qie me dilaceram.
Revesti-vos com as minhas fúrias,
As minhas paixões...
Todos os dias de sol
Que nunca raiaram,
Cada gota de orvalho
Em que não acreditei...
Paredes do meu quarto,
se vós falasseis,
Diríeis que também choro.
Se vós falásseis...
Em vós tatuei
Os medos qie me dilaceram.
Revesti-vos com as minhas fúrias,
As minhas paixões...
Todos os dias de sol
Que nunca raiaram,
Cada gota de orvalho
Em que não acreditei...
Paredes do meu quarto,
se vós falasseis,
Diríeis que também choro.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cabra adversária
Parei para olhar o meu embrionário blog… “Atrás de um nome”… Quando o criei, pensei em publicar algumas das coisas que rabisco, e dar a conhecer a mulher por trás da treinadora… E olhando para o meu embrionário blog, os meus olhos centraram-se nas duas últimas publicações… Uma declaração de amor lamechas e um poema!!!
Não é que a arrogante treinadora também ama? Como é possível, aquela prepotente ter alguém com quem partilhar amor? Escrever poesia??!! Isso demonstra sensibilidade, nada que aquela presunçosa demonstre…
Pois é caros leitores, principalmente, caros leitores adeptos, a mulher que por vezes insultam da bancada, tem família, amigos e acima de tudo, sentimentos… E por muito que a carreira avance, e a experiência nos impermeabilize ao que ouvimos da bancada, tudo vai para casa connosco. Lembrem-se que no meio de vós, estão familiares e amigos da “ pi…pi…pi…”, a quem muito dói ouvir tais despautérios… Lembrem-se, que por baixo do equipamento do clube, e da imagem implacável da treinadora, se esconde uma mulher! Que ouve, que sente e que muitas vezes sofre com os vossos agravos. A vossa liberdade verbal, não vos dá o direito de entrar nas vidas dos outros… Ela não se volta para a bancada e vos retribui os agravos, pouco elogiosos.
Como treinadora da equipa adversária, a minha função é vencer-vos! Pagam-me para isso! Eu gosto disso! Trabalho para isso! É o meu dever, função e obrigação.
Serei por isso, tudo aquilo o que me insultam?
E se um dia os vossos filhos, maridos, esposas… forem treinadores?! E vocês na bancada, a assistir ao jogo e ouvirem direccionado a eles, o que muitas vezes direccionastes a mim?!
É a perspectiva que tudo muda.
Concentrem-se na magia do apoio à vossa equipa, no incentivo, na beleza do desporto, na sincronia dos movimentos e o auge dos cestos… e deixem a cabra do outro lado fazer o trabalho dela!
Não é que a arrogante treinadora também ama? Como é possível, aquela prepotente ter alguém com quem partilhar amor? Escrever poesia??!! Isso demonstra sensibilidade, nada que aquela presunçosa demonstre…
Pois é caros leitores, principalmente, caros leitores adeptos, a mulher que por vezes insultam da bancada, tem família, amigos e acima de tudo, sentimentos… E por muito que a carreira avance, e a experiência nos impermeabilize ao que ouvimos da bancada, tudo vai para casa connosco. Lembrem-se que no meio de vós, estão familiares e amigos da “ pi…pi…pi…”, a quem muito dói ouvir tais despautérios… Lembrem-se, que por baixo do equipamento do clube, e da imagem implacável da treinadora, se esconde uma mulher! Que ouve, que sente e que muitas vezes sofre com os vossos agravos. A vossa liberdade verbal, não vos dá o direito de entrar nas vidas dos outros… Ela não se volta para a bancada e vos retribui os agravos, pouco elogiosos.
Como treinadora da equipa adversária, a minha função é vencer-vos! Pagam-me para isso! Eu gosto disso! Trabalho para isso! É o meu dever, função e obrigação.
Serei por isso, tudo aquilo o que me insultam?
E se um dia os vossos filhos, maridos, esposas… forem treinadores?! E vocês na bancada, a assistir ao jogo e ouvirem direccionado a eles, o que muitas vezes direccionastes a mim?!
É a perspectiva que tudo muda.
Concentrem-se na magia do apoio à vossa equipa, no incentivo, na beleza do desporto, na sincronia dos movimentos e o auge dos cestos… e deixem a cabra do outro lado fazer o trabalho dela!
terça-feira, 14 de julho de 2009
Elocução
Moro dentro dos meus versos,
Por cobardia.
Temo não ter olhos nem mãos de poeta,
Temo não ser o retrato fiel
De uma virgula.
As minhas letras
São o meu rosto,
E só respiro o que o lápis
Me permite.
Por cobardia.
Temo não ter olhos nem mãos de poeta,
Temo não ser o retrato fiel
De uma virgula.
As minhas letras
São o meu rosto,
E só respiro o que o lápis
Me permite.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Lamechice
Hoje varri da ponta do meu lápis, os temas sérios e pesados… Hoje acordei em Julho de 2009, com um sol ribombante de energia… E na varanda do meu T2, emergiu em mim, uma vontade imensurável de escrever sobre algo radicalmente lamechas: o amor! Mas, não o amor genérico, abstracto, não o idealista, imaginoso, não o sofredor, mártir… Emergiu em mim a vontade de vos escrever; sobre o meu amor. Sobre o meu amor humano, feito com a carne comum dos mortais e os ossos vulgares dos que vivem e morrem…
Mas, à medida que rabisco letras e apinho esta folha, a palavra lamechas confunde-me … Não quero escrever sobre algo lamechas. Não eu!!! Eu não sou lamechas.
Decidi então escrever-vos, sobre algo que norteia o meu acordar e mais tarde me apazigua e acalenta no leito: o meu amor.
Todos procuramos o idealista, o imaginoso… Incessantemente… Todos os dias… É este sentimento que nos levanta da cama, nos maquilha, nos escolhe a roupa, que nos faz sair para a rua e pensar que talvez hoje encontremos a quem nos dar e que nos faça receber…
Pois, eu também amo….
A minha busca levou-me a ideologia, e trouxe-me a carne.
Amo, mas anonimamente, para que ninguém perceba… Não quero ser incluída no grupo de mulheres lamechas, cujo tesouro mais precioso dos seus dias, é o amor de um homem. Não eu!!! Não a independente e austera Patrícia Atilano.
Mas, o certo é que ele existe… Discreto na bancada a cada jogo, para que ninguém perceba, que a soberana treinadora tem um amor… Mas, ele está sempre lá… O jogo termina, e o homem anónimo sai da bancada, sem esperar pela amada e a acompanhar a casa… Não!!! Porque, aquela não lhe pertence! Aquela é do clube, da equipa, dos adeptos… A sua chegará a casa, transluzindo alegria pela vitória… e não se cala, relatando energicamente os feitos do jogo… Ou então, entra em casa de braços em baixo, com a pesada dor da derrota… e novamente não se cala, procurando o que correu mal… E ele, sempre lá, para a ouvir e acalentar… Às vezes, ela não quer falar sobre o jogo, e aninha-se a um canto, introspectiva, sozinha… Ele respeita-lhe o silêncio…
Este é o verdadeiro amor: presente, altruísta, talvez um pouco lamechas…
Depois de 7 anos juntos, eis que a vida coloca este sentimento de camaradagem à prova, e quebra este laço, que aos olhos dos outros parecia perfeito e inquebrável…
O tempo não parou… E na orla do movimento dos ponteiros do relógio, a distância junta-nos novamente para nos contar uma história… Disse-nos a distância que afinal o nosso amor é lamechas, porque é intemporal, porque é dos livros de histórias dos contos de fadas…
E acreditem, não há nada mais mágico, do que nos voltarmos a apaixonar, por quem amamos durante 7 anos.
É a primeira vez, que falo publicamente sobre o meu amor. Mas, aqui na varanda do meu T2, descobri que sou lamechas, que o que sinto é lamechas, transportando-me para um grupo ao qual temia pertencer, mas, estou feliz que assim seja.
A treinadora, a mulher, a esposa… Todas te pertencem, com uma devoção mitológica, porque és o Zeus do meu dia, a Fénix das minhas manhãs… O Norte da minha bússola… E alguém que me faz dizer publicamente, este rol de coisas incrivelmente lamechas, só pode ser o homem da minha vida.
A partir de agora, podem chamar-me lamechas, que importa…. Eu tenho o que muitos procuram… Tenho-te a ti… E pela primeira vez publicamente: Amo-te.
Mas, à medida que rabisco letras e apinho esta folha, a palavra lamechas confunde-me … Não quero escrever sobre algo lamechas. Não eu!!! Eu não sou lamechas.
Decidi então escrever-vos, sobre algo que norteia o meu acordar e mais tarde me apazigua e acalenta no leito: o meu amor.
Todos procuramos o idealista, o imaginoso… Incessantemente… Todos os dias… É este sentimento que nos levanta da cama, nos maquilha, nos escolhe a roupa, que nos faz sair para a rua e pensar que talvez hoje encontremos a quem nos dar e que nos faça receber…
Pois, eu também amo….
A minha busca levou-me a ideologia, e trouxe-me a carne.
Amo, mas anonimamente, para que ninguém perceba… Não quero ser incluída no grupo de mulheres lamechas, cujo tesouro mais precioso dos seus dias, é o amor de um homem. Não eu!!! Não a independente e austera Patrícia Atilano.
Mas, o certo é que ele existe… Discreto na bancada a cada jogo, para que ninguém perceba, que a soberana treinadora tem um amor… Mas, ele está sempre lá… O jogo termina, e o homem anónimo sai da bancada, sem esperar pela amada e a acompanhar a casa… Não!!! Porque, aquela não lhe pertence! Aquela é do clube, da equipa, dos adeptos… A sua chegará a casa, transluzindo alegria pela vitória… e não se cala, relatando energicamente os feitos do jogo… Ou então, entra em casa de braços em baixo, com a pesada dor da derrota… e novamente não se cala, procurando o que correu mal… E ele, sempre lá, para a ouvir e acalentar… Às vezes, ela não quer falar sobre o jogo, e aninha-se a um canto, introspectiva, sozinha… Ele respeita-lhe o silêncio…
Este é o verdadeiro amor: presente, altruísta, talvez um pouco lamechas…
Depois de 7 anos juntos, eis que a vida coloca este sentimento de camaradagem à prova, e quebra este laço, que aos olhos dos outros parecia perfeito e inquebrável…
O tempo não parou… E na orla do movimento dos ponteiros do relógio, a distância junta-nos novamente para nos contar uma história… Disse-nos a distância que afinal o nosso amor é lamechas, porque é intemporal, porque é dos livros de histórias dos contos de fadas…
E acreditem, não há nada mais mágico, do que nos voltarmos a apaixonar, por quem amamos durante 7 anos.
É a primeira vez, que falo publicamente sobre o meu amor. Mas, aqui na varanda do meu T2, descobri que sou lamechas, que o que sinto é lamechas, transportando-me para um grupo ao qual temia pertencer, mas, estou feliz que assim seja.
A treinadora, a mulher, a esposa… Todas te pertencem, com uma devoção mitológica, porque és o Zeus do meu dia, a Fénix das minhas manhãs… O Norte da minha bússola… E alguém que me faz dizer publicamente, este rol de coisas incrivelmente lamechas, só pode ser o homem da minha vida.
A partir de agora, podem chamar-me lamechas, que importa…. Eu tenho o que muitos procuram… Tenho-te a ti… E pela primeira vez publicamente: Amo-te.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Esta é a história de uma treinadora, que com 28 anos já atingiu alguns sucessos, mas que sai de 2 épocas onde a glória não imperou. Mas, esta é sobretudo a história de uma treinadora, que no mundo do desporto, tem um óbice curricular, esta é a história de uma treinadora que é mulher.
O que me leva a parar para escrever sobre a condição de ser mulher? Porque não para rabiscar um novo modelo defensivo, ou uma série de esquemas tácticos ofensivos, como todos os treinadores? Porque não escrevo documentos com campos de basquetebol, com defesas e atacantes, que possam ajudar colegas nas suas equipas, aplicando-os e imortalizando, aquilo em que acredito enquanto treinadora?
A resposta é simples. Porque por muito que evolua como treinadora, por muito melhor que me encontre a cada época, eu continuo a ser mulher. Essa é a primeira imagem que crio, e logo a maior barreira!
In: "História de uma treinadora que é mulher."
O que me leva a parar para escrever sobre a condição de ser mulher? Porque não para rabiscar um novo modelo defensivo, ou uma série de esquemas tácticos ofensivos, como todos os treinadores? Porque não escrevo documentos com campos de basquetebol, com defesas e atacantes, que possam ajudar colegas nas suas equipas, aplicando-os e imortalizando, aquilo em que acredito enquanto treinadora?
A resposta é simples. Porque por muito que evolua como treinadora, por muito melhor que me encontre a cada época, eu continuo a ser mulher. Essa é a primeira imagem que crio, e logo a maior barreira!
In: "História de uma treinadora que é mulher."
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